Os velhos, os loucos, os maltrapilhos, as donas de casa, os forasteiros, os jovens, os andarilhos, os bandidos, os desgraçados, os trabalhadores, os valentes, os desvalidos... todos expostos na ferida do cotidiano, em seus momentos desprevinidos quando o olho da narrativa passeia pelas ruas. Revelam, ao mesmo lance de visão, sua fragilidade e força, não como características antagônicas, mas como se a mão da narrativa as tivesse misturado no corpo de uma só personagem a um só tempo, impedindo o acirramento de ideias preconcebidas, dos estereótipos dualistas, e oferecendo um modo de ver (e viver) a complexidade real pela via da ficção e da poesia. Os contos, poemas e crônicas de “Entre o Rio e a Praça”, de Tianalva Silva, denunciam o tempo e as restrições da vida - ou o desejo de liberdade - fincando marcas nos corpos e gestos que povoam a terra, os mares e os ares daqui desta Bahia íntima, que é o Recôncavo, mas que poderiam ser de outros tantos cantos no mundo, já que todos temos um pouco de tudo isso quando nos pertimos encarar os espelhos da ficção.
Marinalva Silva ganhou a alcunha de ‘Tia Nalva’ dos estudantes do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (CAHL-UFRB), quando os recebia em seu bar na praça Teixeira de Freitas. Daí, então, assumiu para si o apelido que virou nome, Tianalva, com o qual assina o livro. Além do nome, aquele pedaço de chão diante da praça e do Rio Paraguaçu trouxe motivo para a escrita de parte das crônicas deste seu primeiro livro, feitas em formas de diário numa agenda antiga, como ficções de memória ou memórias em ficção. Foi a partir delas e deste diário é que o livro começou a surgir como ideia. Entre um gole e outro, em conversas regadas entre a autora e a editora, as personagens escondidas na gaveta de Tianalva surgiam com seus exemplos de vida, sua tragédia e glória. O tempo passando, mais contos e poemas foram saindo da gaveta e outros amigos se achegando para dar corpo à ideia. Assim, todo o processo de ediçao foi executado coletivamente, no afeto de Cachoeira (Bahia).
Aquarelas de Annie Ganzala
64 páginas
Uma pequena editora no coraçao do Recôncavo Baiano